Arranhadores para gatos: tipos, benefícios e como escolher
Arranhar o sofá, as cortinas ou outros móveis é um comportamento comum entre os gatos e pode gerar frustração para muitas famílias. No entanto, essa atitude não representa desobediência ou uma tentativa de chamar a atenção. Na verdade, arranhar é uma necessidade natural dos felinos, relacionada à comunicação, à manutenção das garras e ao alongamento muscular. E talvez o que falte para o seu peludo são arranhadores para gatos…
Esses tais “arranhadores para gatos” são fundamentais para o enriquecimento ambiental, pois permitem que os animais expressem seus instintos de maneira segura, sem comprometer os móveis da residência. Entretanto, para que sejam utilizados, é importante escolher modelos adequados às preferências, ao porte e à idade de cada gatinho.
Por que os gatos precisam arranhar?
Arranhar é um comportamento instintivo que desempenha diferentes funções na rotina dos felinos. Uma delas é a marcação territorial, já que as patas possuem glândulas que liberam substâncias odoríferas. Além disso, as marcas visuais deixadas pelas garras funcionam como sinais de comunicação.
O comportamento também contribui para o alongamento dos músculos e a movimentação das articulações, especialmente dos membros anteriores. Durante a atividade, o gato estende o corpo e movimenta os ombros, favorecendo a mobilidade. Além disso, arranhar auxilia na remoção das camadas externas das unhas, que se renovam naturalmente. Entretanto, essa atividade não substitui o acompanhamento do crescimento das garras, principalmente em gatos idosos ou com pouca mobilidade.
As diretrizes ambientais da American Association of Feline Practitioners (AAFP) e da International Society of Feline Medicine (ISFM) reconhecem a disponibilidade de superfícies apropriadas para arranhar como uma necessidade importante para o bem-estar felino.
Quais são os tipos de arranhadores para gatos?
Existem diferentes tipos de arranhadores, e a escolha deve considerar a maneira como cada animal prefere arranhar e ferecer superfícies variadas pode ajudar a identificar o modelo mais atrativo. Separamos algumas opções mais aceitas entre os gatinhos:
Arranhadores verticais: são indicados para gatos que gostam de arranhar sofás, cortinas e outras superfícies elevadas. Esses devem ter altura suficiente para permitir que o animal estenda completamente o corpo e uma base firme que impeça tombamentos. Os modelos revestidos de sisal são bastante comuns.
Arranhadores horizontais: geralmente confeccionados em papelão ondulado, sisal ou materiais semelhantes, são ideais para gatos que preferem arranhar tapetes e superfícies próximas ao chão. Também são opções práticas para ambientes menores.
Arranhadores inclinados: oferecem uma posição intermediária entre os modelos verticais e horizontais. Podem ser interessantes para gatos que não demonstram preferência pelas outras opções, desde que apresentem estabilidade durante o uso.
Torres e estruturas multifuncionais: combinam superfícies para arranhar com plataformas elevadas, esconderijos e áreas de descanso. Além de estimular o comportamento natural, ampliam as oportunidades de exploração e atividade física.
Independentemente do modelo, é importante observar a reação do seu gato. Afinal, nem sempre o equipamento maior ou mais elaborado será o preferido do animal.
Como escolher arranhadores para gatos grandes?
Gatos de raças grandes, como o Maine Coon, podem precisar de postes mais robustos e plataformas espaçosas. Entretanto, o porte individual deve orientar a escolha, independentemente da raça.
Os arranhadores para gatos grandes precisam oferecer resistência, estabilidade e espaço suficiente para o alongamento. Modelos muito pequenos ou leves podem tombar durante o uso, provocando insegurança e afastando o animal.
O ideal é escolher um arranhador vertical que permita ao gato estender completamente os membros anteriores, sem limitações. Além disso, a base deve ser proporcional à altura da estrutura e suportar a força exercida pelo animal.
Também é importante verificar a qualidade do revestimento. Materiais resistentes, como o sisal bem fixado, tendem a suportar melhor o uso frequente e oferecem uma textura que muitos felinos apreciam.
Qual é o melhor material para arranhadores?
A preferência pelo material varia entre os gatos. O sisal oferece uma superfície resistente e texturizada, enquanto o papelão ondulado costuma atrair animais que preferem arranhar horizontalmente.
O carpete também pode ser utilizado, mas alguns gatos podem passar a arranhar outros tapetes da residência por apresentarem texturas semelhantes. Já a madeira sem farpas pode ser uma alternativa para animais que preferem superfícies mais naturais.
Independentemente da escolha, o equipamento deve estar livre de grampos expostos, pontas, fios soltos ou partes que possam ser ingeridas. Por fim, a segurança e a facilidade de higienização também devem ser consideradas.
Onde posicionar os arranhadores para gatos?
A localização influencia diretamente a aceitação do arranhador. Colocá-lo em um cômodo pouco frequentado pode reduzir o interesse do animal, mesmo quando o equipamento apresenta características adequadas.
O ideal é posicioná-lo próximo aos locais onde o gato costuma dormir, brincar ou arranhar os móveis. Como muitos felinos arranham ao acordar, instalar um modelo próximo à área de descanso pode estimular sua utilização.
Além disso, em residências com vários gatos, é importante distribuir diferentes arranhadores pelos ambientes, evitando a disputa por recursos. Se o animal costuma arranhar o sofá, por exemplo, posicionar um arranhador próximo ao móvel pode ajudar a direcionar o comportamento para uma superfície apropriada.
Como ensinar o gato a usar o arranhador?
A adaptação deve ocorrer de maneira gradual e positiva. Isso porque forçar as patas do gato contra a superfície ou repreendê-lo por arranhar os móveis pode provocar medo e dificultar o aprendizado. Então, a aproximação pode ser feita de vários modos que promovam experiências positivas, como:
- Estimular a aproximação por meio de brincadeiras com varinhas ou brinquedos.
- Petiscos também podem ser oferecidos quando o animal demonstrar interesse pelo equipamento, criando uma associação positiva.
- A erva-do-gato, conhecida como catnip, pode despertar o interesse de alguns felinos, embora nem todos respondam a ela.
Enquanto o animal se adapta, proteger temporariamente os móveis e manter o arranhador próximo às áreas preferidas pode facilitar a transição. A paciência é fundamental, pois alguns gatos precisam de mais tempo para aceitar novas superfícies.
Por que alguns gatos não usam o arranhador?
A recusa pode estar relacionada à textura, à altura, à instabilidade ou à localização inadequada do equipamento. Além disso, experiências negativas, mudanças ambientais e conflitos com outros animais podem interferir no comportamento. Por isso, observar as preferências do gato é essencial. Oferecer diferentes modelos, texturas e orientações pode ajudar a identificar a alternativa mais adequada.
Entretanto, quando o animal deixa repentinamente de arranhar, apresenta dificuldade para subir em móveis ou demonstra desconforto ao movimentar as patas, é importante investigar possíveis problemas de saúde. Em gatos idosos, por exemplo, doenças articulares podem dificultar o uso de arranhadores verticais. Nesses casos, modelos horizontais ou inclinados podem facilitar o acesso, mas não substituem a avaliação veterinária.
Arranhar os móveis pode indicar estresse?
Na maioria das vezes, arranhar os móveis é apenas uma manifestação natural do comportamento felino, especialmente quando não existem alternativas apropriadas no ambiente.
No entanto, mudanças repentinas na frequência ou na intensidade desse comportamento podem estar associadas a alterações ambientais, conflitos entre animais ou situações de estresse.
Se o comportamento vier acompanhado de isolamento, alterações no apetite, agressividade ou mudanças na eliminação, é importante procurar orientação veterinária. A avaliação permite investigar possíveis causas clínicas e comportamentais.
A punição não é recomendada, pois pode aumentar a insegurança sem atender às necessidades do animal. O enriquecimento ambiental e a identificação dos fatores desencadeantes são partes importantes do manejo.
Quando procurar atendimento veterinário?
Alterações no comportamento de arranhar podem sinalizar problemas nas garras, nas patas ou nas articulações. Por isso, é importante procurar atendimento veterinário quando o gato apresentar claudicação, inchaço, sangramento, unhas quebradas ou dor ao tocar nas patas.
Além disso, garras excessivamente compridas podem crescer em direção às almofadinhas das patas, causando feridas e desconforto, especialmente em gatos idosos ou com baixa atividade física.
Dificuldade para caminhar, subir em móveis ou realizar movimentos habituais também merece investigação. O diagnóstico precoce permite identificar a causa e estabelecer os cuidados necessários.
Se notar sinais como estes no seu gatinho, marque consulta com veterinário ortopedista pelo nosso WhatsApp!
Como manter os arranhadores para gatos seguros?
A manutenção regular ajuda a preservar a segurança e a funcionalidade do equipamento. É importante verificar se a estrutura continua estável, se o revestimento está bem fixado e se não existem partes quebradas ou pontas expostas.
Os modelos de papelão devem ser substituídos quando estiverem excessivamente desgastados. Já os arranhadores de sisal precisam de inspeção periódica para identificar fios soltos ou deterioração do material.
A higienização deve seguir as recomendações do fabricante, com produtos seguros para animais. O equipamento precisa estar completamente seco antes de voltar a ser utilizado.
Os arranhadores para gatos são essenciais para atender às necessidades naturais dos felinos, contribuindo para a comunicação, o alongamento, a atividade física e o bem-estar. Além de proteger os móveis, oferecem uma alternativa segura para a expressão de comportamentos instintivos.
A escolha deve considerar o porte, a idade, as preferências e as condições de saúde de cada animal. Além disso, a localização adequada, a estabilidade e a variedade de superfícies favorecem a aceitação.
Na SOS Peludos, entendemos que cuidar da saúde felina também significa respeitar suas necessidades comportamentais e ambientais. Afinal, oferecer um espaço adequado para que os gatos expressem seus instintos é uma medida importante de prevenção e qualidade de vida.
Fontes:
- Ellis, S. L. H. et al. (2013). AAFP and ISFM Feline Environmental Needs Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery, 15(3), 219–230. https://doi.org/10.1177/1098612X13477537
- Cornell University College of Veterinary Medicine. Feline Behavior Problems: Destructive Behavior. https://www.vet.cornell.edu/departments-centers-and-institutes/cornell-feline-health-center
- Scratching behaviour and its features: a questionnaire-based study in an Italian sample of domestic cats. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11383154/