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Câncer de próstata em cachorros - sos peludos clinica veterinária 24 horas em são paulo

Câncer de próstata em cachorros: sintomas e tratamento

Quando um cachorro mais velho começa a urinar com dificuldade, apresentar sangue na urina ou nas fezes, perder peso ou demonstrar dor nas patas traseiras, é comum que a família pense primeiro em uma infecção urinária, problema intestinal ou até uma alteração ortopédica. No entanto, em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados ao câncer de próstata em cachorros.

A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino e fica próxima à bexiga e à uretra. Por isso, alterações prostáticas podem provocar não apenas problemas urinários, mas também dificuldade para defecar e, em casos mais avançados, alterações relacionadas aos ossos e ao sistema nervoso.

Embora o câncer de próstata em cachorros seja considerado uma doença relativamente rara, ele merece atenção porque apresenta comportamento agressivo e pode se espalhar para outras regiões do organismo. Além disso, muitos cães não apresentam sinais específicos no início da doença, o que dificulta a identificação precoce.

Nesse contexto, reconhecer os sinais e procurar avaliação veterinária diante de alterações persistentes pode fazer a diferença na investigação, no controle dos sintomas e na qualidade de vida do seu peludo.

 

Cachorro tem próstata? Entenda onde fica essa glândula

 

Sim. O cachorro macho possui uma próstata localizada na região pélvica, próxima ao colo da bexiga e envolvendo parcialmente a uretra. Sua principal função está relacionada à produção de parte do líquido que compõe o sêmen.

Além disso, a localização anatômica explica por que uma próstata aumentada ou alterada pode causar sintomas em órgãos que, à primeira vista, parecem não ter relação com ela.

Por exemplo, quando a próstata aumenta de volume, pode comprimir a uretra e dificultar a passagem da urina. Da mesma forma, uma massa prostática pode exercer pressão sobre o reto e o intestino, levando a esforço para defecar ou à alteração do formato das fezes.

Entretanto, nem todo aumento da próstata significa câncer. A hiperplasia prostática benigna, a prostatite, os cistos e outras doenças também podem provocar alterações semelhantes. Por isso, apenas observar os sintomas não permite determinar a causa.

 

O que é o câncer de próstata em cachorros?

 

O câncer de próstata corresponde ao desenvolvimento de uma neoplasia maligna nos tecidos da glândula prostática ou de estruturas relacionadas. Entre os tumores descritos em cães estão carcinomas prostáticos e tumores de origem urotelial.

Diferentemente da hiperplasia prostática benigna, que é uma alteração não cancerosa bastante associada à ação hormonal em machos não castrados, os tumores malignos da próstata apresentam comportamento invasivo e podem atingir tecidos próximos ou produzir metástases.

Além disso, não existe atualmente um exame de rastreamento equivalente ao PSA utilizado na medicina humana que permita identificar precocemente o câncer de próstata em cães. Essa ausência de uma ferramenta simples de triagem contribui para a dificuldade de diagnóstico em animais que ainda não apresentam sinais clínicos.

Por outro lado, isso não significa que todo cachorro idoso precise realizar exames invasivos para procurar câncer de próstata. A investigação deve ser individualizada pelo médico-veterinário, considerando idade, histórico, sinais clínicos e alterações encontradas no exame físico ou nos exames complementares.

 

Quais são os sintomas do câncer de próstata em cachorros?

 

Os sinais podem variar bastante conforme o tamanho do tumor, sua localização e a presença ou não de metástases. Além disso, alguns cães permanecem praticamente assintomáticos durante parte da evolução da doença.

Entre os sinais que podem aparecer estão dificuldade para urinar, esforço ou dor durante a micção, sangue na urina e dificuldade para defecar. Também podem ocorrer esforço excessivo para evacuar, fezes mais finas ou achatadas, perda de apetite, emagrecimento e dor.

Entretanto, alguns sinais merecem atenção especial porque podem indicar doença mais avançada. Dor nas costas, dificuldade para caminhar, claudicação ou alterações neurológicas podem ocorrer quando a doença atinge estruturas ósseas, especialmente vértebras e região pélvica. Da mesma forma, tosse ou alterações respiratórias podem exigir investigação quando existe suspeita de disseminação para os pulmões.

Portanto, não é necessário esperar que vários sintomas apareçam ao mesmo tempo. Um macho, especialmente idoso, que apresenta uma alteração urinária ou intestinal persistente merece avaliação veterinária.

 

Castração aumenta o risco de câncer de próstata?

 

Essa é uma das dúvidas mais comuns, mas a resposta exige cuidado.

Alguns estudos encontraram associação entre castração e maior ocorrência de carcinoma prostático, principalmente porque muitos casos são diagnosticados em cães castrados. Entretanto, revisões da literatura mostram que essa relação permanece controversa e que outros estudos não encontraram diferença significativa na prevalência entre cães castrados e não castrados.

Além disso, é importante separar o câncer de outras doenças da próstata. A hiperplasia prostática benigna está fortemente relacionada aos hormônios sexuais e é muito mais comum em machos não castrados. Já o carcinoma prostático apresenta características biológicas diferentes.

Dessa forma, não é correto afirmar que a castração simplesmente “causa” câncer de próstata. Da mesma maneira, também não se deve considerar a castração uma forma garantida de prevenir esse tipo de tumor.

A decisão sobre castrar um cachorro deve considerar idade, raça, histórico, condição clínica, finalidade reprodutiva e outros fatores individuais, sempre com orientação veterinária.

 

Como o câncer de próstata é diagnosticado?

 

O diagnóstico começa pela avaliação clínica. Durante a consulta, o médico-veterinário pode investigar alterações urinárias, intestinais, perda de peso, dor e mudanças no comportamento, além de realizar exame físico e, quando indicado, avaliação retal.

Em seguida, exames laboratoriais e de imagem podem ajudar a avaliar o tamanho, o formato e a estrutura da próstata:

  • A ultrassonografia abdominal é especialmente importante, porque permite observar alterações como aumento da glândula, irregularidade de sua arquitetura, presença de áreas mineralizadas e alterações nos linfonodos próximos.
  • As radiografias e tomografia computadorizada podem ser utilizadas quando há necessidade de investigar possíveis metástases ou alterações ósseas.
  • Exames de sangue e urina também podem fazer parte da investigação, embora não exista um exame sanguíneo simples capaz de confirmar ou excluir sozinho o câncer de próstata canino.

Entretanto, a confirmação do tipo de tumor depende da avaliação de células ou tecido, por meio de citologia e/ou biópsia. Dependendo do caso, o veterinário pode optar por diferentes formas de coleta, sempre avaliando os benefícios e os riscos do procedimento.

Por isso, uma próstata aumentada na ultrassonografia não significa automaticamente câncer. O diagnóstico precisa considerar o conjunto das informações clínicas e laboratoriais.

 

O câncer de próstata em cachorros pode causar metástase?

 

Sim. Essa é uma das principais preocupações relacionadas à doença.

O carcinoma prostático canino apresenta comportamento potencialmente agressivo e pode se disseminar para linfonodos regionais, pulmões, ossos e outras estruturas. A literatura veterinária descreve uma elevada frequência de doenças metastáticas, especialmente em estágios avançados.

Além disso, a disseminação pode explicar sintomas que inicialmente parecem não ter relação com a próstata. Dor lombar, dificuldade para caminhar ou alterações neurológicas, por exemplo, podem estar associadas ao comprometimento de vértebras, pelve ou estruturas nervosas.

Nesse contexto, quando existe suspeita de câncer, o objetivo dos exames não é apenas descobrir se existe um tumor, mas também é necessário determinar sua extensão. Esse processo, chamado estadiamento, ajuda a equipe veterinária a compreender a gravidade da doença e a escolher as alternativas de tratamento mais adequadas.

 

Existe tratamento para câncer de próstata em cachorros?

 

O tratamento depende do tipo de tumor, extensão da doença, presença de metástases e condição geral do peludo. Atualmente, não existe um protocolo único considerado padrão para todos os casos de carcinoma prostático canino.

Em determinadas situações, podem ser considerados medicamentos anti-inflamatórios não esteroides, quimioterapia ou procedimentos cirúrgicos. Além disso, técnicas intervencionistas mais recentes vêm sendo estudadas para controlar a doença localmente ou aliviar obstruções provocadas pelo tumor.

A cirurgia, entretanto, não é uma solução simples. A próstata fica intimamente relacionada à uretra e às estruturas responsáveis pelo controle urinário. Assim, procedimentos extensos precisam ser muito bem avaliados quanto aos possíveis riscos para cada animal. 

Portanto, o tratamento deve ser planejado individualmente. Em muitos casos, controlar dor, dificuldade urinária e outros sinais clínicos é tão importante quanto tentar controlar diretamente o tumor.

 

Quando procurar atendimento veterinário?

 

Qualquer alteração persistente na urina ou nas fezes merece avaliação, principalmente em cães machos idosos. Além disso, sangue na urina, dificuldade para urinar, esforço intenso para defecar, dor, emagrecimento sem explicação e alterações na locomoção justificam uma investigação mais rápida.

Entretanto, a dificuldade para urinar merece atenção especial. Uma obstrução urinária pode representar uma emergência independentemente de sua causa. Assim, um cachorro que tenta urinar repetidamente, demonstra dor e não consegue eliminar urina deve receber atendimento veterinário o mais breve possível.

Da mesma forma, dor intensa, fraqueza súbita, dificuldade importante para caminhar ou alterações neurológicas exigem avaliação sem esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente.

E lembre-se: quanto antes uma causa potencialmente grave for investigada, maior será a possibilidade de estabelecer um plano adequado de tratamento e cuidado com o bem-estar para o seu peludo.

 

É possível prevenir o câncer de próstata em cachorros?

 

Não existe uma estratégia capaz de prevenir completamente o câncer de próstata em cães. Além disso, não há atualmente um programa de rastreamento equivalente ao utilizado em homens, justamente porque os métodos disponíveis não conseguem identificar de maneira confiável a doença em animais sem sinais clínicos.

Por isso, consultas veterinárias regulares são importantes, principalmente durante o envelhecimento. O acompanhamento permite identificar alterações urinárias, intestinais, de peso, mobilidade e comportamento que poderiam passar despercebidas no dia a dia.

Além disso, exames complementares podem ser importantes quando existem fatores clínicos que levantem suspeita. A prevenção, nesse caso, está muito mais relacionada ao acompanhamento adequado da saúde do cão do que à realização indiscriminada de exames.

Aqui na SOS Peludos, a investigação de alterações de saúde é conduzida considerando o histórico, o exame clínico e os exames complementares necessários para cada paciente. Em cães idosos, especialmente quando surgem sinais urinários, intestinais ou de dor, uma avaliação cuidadosa pode ajudar a identificar o problema e definir o caminho mais adequado para o tratamento e a qualidade de vida.

 

Fontes:

 

Gibson EA, Culp WTN. Canine Prostate Cancer: Current Treatments and the Role of Interventional Oncology. Veterinary Sciences, 2024.

Palmieri C, Fonseca-Alves CE, Laufer-Amorim R. A Review on Canine and Feline Prostate Pathology. Frontiers in Veterinary Science, 2022.

MSD Veterinary Manual. Neoplasms of the Prostate in Dogs. Revisão atualizada em setembro de 2025.

MSD Veterinary Manual. Prostatic Diseases in Small Animals. Revisão atualizada em setembro de 2025.

Lower Urinary Tract Neoplasia. Veterinary Clinics and literatura científica indexada no PubMed Central.

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