
Aranha Caranguejeira: tipos, alimentação, veneno e cuidados
Imagine estar em uma trilha pela natureza e, de repente, cruzar com uma aranha grande, peluda e de aspecto intimidador. Para muitos, essa cena pode causar medo imediato. No entanto, estamos falando da aranha caranguejeira, um dos aracnídeos mais conhecidos do Brasil e que desperta tanto curiosidade quanto receio. Apesar da aparência ameaçadora, grande parte das informações sobre ela é cercada de mitos. Por isso, compreender como vivem, se realmente são perigosas e até mesmo se podem ser criadas como pet é essencial para conviver em harmonia com essa espécie tão peculiar.
O que é a aranha caranguejeira?
A aranha caranguejeira é um termo popular usado para designar várias espécies pertencentes à família Theraphosidae. Essa família inclui mais de 1.000 espécies descritas em todo o mundo, sendo muitas delas encontradas no Brasil. Esses animais também são chamados de tarântulas em alguns países, embora a nomenclatura varie bastante de acordo com a região.
Além do nome, o que mais chama atenção é seu tamanho. Em média, as caranguejeiras podem chegar a 20 a 30 centímetros de envergadura quando estendem suas pernas, o que as coloca entre as maiores aranhas do planeta. Seu corpo é coberto por pelos que desempenham funções importantes, desde auxiliar na percepção do ambiente até atuar como mecanismo de defesa.
Onde a aranha caranguejeira é encontrada?
No Brasil, as caranguejeiras são comuns em diferentes biomas, incluindo Mata Atlântica, Cerrado e na Amazônia. Elas habitam principalmente áreas de vegetação densa, locais com troncos caídos, buracos no solo e até construções humanas, quando procuram abrigo.
No mundo, é possível encontrá-las em regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, América Central, África e partes da Ásia. Essa ampla distribuição geográfica contribui para a grande diversidade de espécies conhecidas.
A aranha caranguejeira é venenosa?
Essa é uma das perguntas mais comuns: a aranha caranguejeira é venenosa? Sim, todas as espécies de aranhas produzem veneno, já que é sua principal forma de paralisar presas. No entanto, no caso das caranguejeiras, a toxina não é considerada perigosa para seres humanos.
Isso porque seu veneno é de baixa potência e provoca, na maioria dos casos, apenas reações locais, como dor, vermelhidão e inchaço, semelhantes a uma picada de abelha. Casos graves são extremamente raros e normalmente estão associados a alergias individuais. Portanto, apesar da aparência intimidadora, elas não representam risco significativo para a vida humana.
O que merece atenção são os pelos urticantes presentes em seu abdômen. Quando se sentem ameaçadas, essas aranhas podem liberar esses pêlos no ar, causando irritação na pele, olhos e vias respiratórias. Para pessoas sensíveis, essa defesa natural pode provocar desconforto maior que a própria picada.
O que a aranha caranguejeira come?
Outra dúvida frequente é: o que a aranha caranguejeira come? Sua dieta é carnívora e composta basicamente por insetos como grilos, baratas e gafanhotos. Espécies maiores também podem se alimentar de pequenos vertebrados, incluindo lagartos, sapos e até filhotes de aves.
Elas são predadoras de emboscada: permanecem imóveis até que a presa se aproxime e, então, utilizam suas quelíceras para injetar veneno, paralisando o alimento. O processo de digestão é externo. Após imobilizar a presa, a caranguejeira libera enzimas digestivas que liquefazem os tecidos, possibilitando a ingestão do alimento já em forma líquida.
Esse hábito alimentar, apesar de parecer agressivo, tem papel importante no equilíbrio ecológico, já que ajuda a controlar populações de insetos e pequenos animais.
Tipos de aranha caranguejeira
Existem diversas espécies de caranguejeiras distribuídas pelo mundo. No Brasil, algumas das mais conhecidas são:
- Lasiodora parahybana: considerada uma das maiores aranhas do mundo, pode ultrapassar 25 cm de envergadura.
- Acanthoscurria geniculata: famosa por sua coloração preta com listras brancas nas pernas, é uma das mais comuns de ser ver a criação como pet.
- Grammostola pulchra: conhecida como “caranguejeira-preta”, possui temperamento dócil e também é bastante popular no mercado de animais exóticos.
- Vitalius spp.: gênero bastante representativo na fauna brasileira, encontrado em diversos estados.
Essa variedade mostra como o grupo é diverso e adaptado a diferentes habitats.
Aranha caranguejeira filhote: cuidados especiais
Quando falamos em aranha caranguejeira filhote, é preciso destacar que os primeiros meses de vida são extremamente delicados. Os filhotes, chamados de “slings”, são muito frágeis e exigem ambiente controlado, especialmente quando criados em cativeiro.
Em condições naturais, a fêmea pode gerar centenas de ovos em um mesmo saco de postura. Desses, apenas uma pequena parte chega à vida adulta, já que muitos filhotes servem de alimento para outros predadores.
No ambiente doméstico, os tutores que optam por criá-las como pet devem manter atenção redobrada à temperatura, umidade e oferta de alimento adequado, como pequenos insetos. Além disso, não se recomenda a manipulação de filhotes, pois o estresse pode comprometer seu desenvolvimento.
A caranguejeira pode ser criada como pet?
Apesar do preconceito inicial, a criação de caranguejeiras como animais de estimação tem crescido no Brasil e no mundo. Muitas espécies apresentam comportamento dócil e fácil adaptação ao cativeiro, o que atrai colecionadores e entusiastas de animais exóticos.
No entanto, é fundamental reforçar que a criação deve ser legal, com espécies autorizadas pelo IBAMA. A compra irregular alimenta o tráfico de animais silvestres e coloca em risco a biodiversidade.
Além disso, quem deseja ter uma caranguejeira como pet deve estar preparado para oferecer um terrário adequado, com substrato apropriado, esconderijos e controle ambiental. Outro ponto importante é respeitar o bem-estar do animal, evitando manipulações desnecessárias e garantindo alimentação adequada.
Curiosidades sobre a aranha
Para deixar a compreensão ainda mais completa, aqui estão alguns fatos curiosos sobre essas aranhas:
- Algumas espécies podem viver mais de 20 anos, especialmente as fêmeas.
- Quando ameaçadas, além de lançar pelos urticantes, elas podem levantar as patas dianteiras em posição de defesa.
- Apesar da fama, são animais tímidos e preferem se esconder a atacar.
- Seu papel ecológico é fundamental, já que ajudam a equilibrar populações de insetos.
Convivendo com a tarântula
No ambiente urbano, o encontro com uma caranguejeira pode assustar, mas não deve gerar pânico. Em geral, esses animais não atacam humanos sem motivo. Caso uma aranha apareça em sua casa ou jardim, a recomendação é não tentar manuseá-la. O ideal é acionar órgãos ambientais ou profissionais especializados para a remoção segura.
Lembre-se de que, apesar da aparência, elas são parte essencial da biodiversidade e merecem respeito.
A aranha caranguejeira é um dos aracnídeos mais fascinantes da fauna, cercada por mitos e verdades. Embora desperte medo em muitas pessoas, não representa ameaça significativa à saúde humana e desempenha papel fundamental no equilíbrio ecológico. Entender se a aranha caranguejeira é venenosa, o que a aranha caranguejeira come, como cuidar de uma aranha caranguejeira filhote e conhecer os tipos de aranha caranguejeira existentes ajuda a desmistificar esse animal tão especial.
Seja em vida livre ou, legalmente, como animal de estimação, a caranguejeira merece compreensão e respeito. A SOS Peludos, clínica veterinária 24 horas, reforça a importância da educação e da informação para garantir convivência saudável entre humanos e animais silvestres.
E se você tiver uma caranguejeira ou qualquer outro animal exótico, saiba que temos veterinário especialista em silvestre para te atender aqui na SOS Peludos, agende sua consulta por WhatsApp!
Fonte:
- Foelix, R. F. (2011). Biology of Spiders. Oxford University Press.
- Bertani, R. (2001). Revision, cladistic analysis, and zoogeography of Vitalius, Nhandu and Proshapalopus (Araneae, Theraphosidae, Theraphosinae). Arquivos de Zoologia, 36(3), 265–356.
- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Fauna Brasileira.
- World Spider Catalog. Natural History Museum Bern.